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Não suporto mais tantos “pums”
Caro Pedro. Preciso muito do seu auxílio pois estou perdida e não sei o que fazer. Explico-lhe. Achei o homem dos meus sonhos. É descendente de alemães, alto, inteligente, musculoso, olhos azuis, estudante de engenharia e com um promissor futuro à sua frente. Além disso é educado, cortês, honesto, fiel e me devota um amor que nunca imaginei pudesse existir. E, do meu lado, eu igualmente, o amo como jamais gostei de alguém. Entretanto, apenas um pequeno pormenor me assusta. Ele gosta de comidas fortes. Salsichas, chucrute, joelho de porco, batatas cozidas, etc. E rega tudo com abundante cerveja. Seu apetite não constituiria problema, mas o fato é que ele se transforma num gerador incansável de “pums” altamente sonoros e terrivelmente odoríficos. Solta-os em todos os lugares e a qualquer hora, sem sequer perceber os efeitos que causam. Quando estamos entre amigos, nos restaurantes, elevadores, lugares fechados e até debaixo dos lençóis. Ele parece não sentir ou perceber o constrangimento que causa nas pessoas à sua volta. Confesso-lhe que tenho muito medo de interferir e acabar por magoá-lo. Ajude-me. Não quero nem posso perdê-lo. Margarida Tunda Benevides.


Caríssima Margarida. Há questões, como a que você propõe, difíceis de resolver. Tudo porque não quer perdê-lo. Seria muito fácil encará-lo de frente e relatar-lhe o que está acontecendo. Talvez seja mesmo a única solução para esse tormentoso problema. Entretanto, na inglória tentativa de ajudá-la penso em algumas opções: a primeira seria você passar a usar máscara contra gases. Hoje em dia, com todas essas ameaças de guerras e ataques, sei que alguns países desenvolveram alguns equipamentos quase perfeitos. Se conseguem salvar as pessoas de gases mortais devem também protegê-la das nefastas emissões de seu namorado. Sua utilização constante talvez possa dificultar uma aproximação amorosa mas poderá ser-lhe de extrema utilidade nos encontros mais íntimos onde você está quase sem defesa. Outra alternativa que pensei, se você prefere não tocar no assunto com ele, é distraidamente presentea-lo com um pacote de rolhas de cortiça. De todos os tamanhos, diâmetros e densidades. Talvez ele fique curioso e lhe pergunte os motivos do inusitado presente. Mais não me ocorre. De qualquer forma sinto o dever de lhe informar que se você gosta dele de verdade, procure afastá-lo de chamas a crepitar, incêndios, mesmo os pequenos e, jamais permita que ele se proponha a pular fogueiras nas festas juninas. Se é como você me conta, poderá ocorrer alguma explosão e as conseqüências serão imprevisíveis. Até mesmo fatais! Um forte abraço. Pedro.
Pedro Vicentini
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