SUA
SAÚDE COMEÇA PELA BOCA
Por
IVAN MIZIARA
A
alimentação correta é uma das melhores
formas de prevenir doenças. O que você come
contém substâncias úteis ao funcionamento
do seu organismo. Veja como e fácil preparar um cardápio
rico e saboroso e tenha uma vida mais longa e saudável.
Manchetes
do tipo "Cientistas descobrem que alho previne câncer"
ou "Óleo de peixe diminui cólicas menstruais"
estão a todo instante nos jornais. Com tanta informação,
muitas vezes você fica confusa sem saber qual alimento
ou vitamina serve para o quê. No fim dos anos 80,
por exemplo, várias pesquisas diziam que os complexos
vitamínicos eram uma panacéia na prevenção
dos ataques cardíacos e do câncer. Agora, um
estudo realizado pela Sociedade Americana de Câncer,
durante sete anos, com um milhão de pessoas, concluiu
que o risco de uma pessoa que toma suplemento vitamínico
diário sofrer um infarto é igual ao de quem
não toma. O mesmo acontece em relação
a muitos tipos de alimentos. Houve um tempo em que se acreditou
que o azeite de oliva era prejudicial à saúde.
Hoje se sabe que ele é uma das mais poderosas fontes
de "bom colesterol". Por outro lado, os pesquisadores
não param e, baseado na constatação
de que um cardápio rico em frutas, legumes e verduras
diminui as chances de se contrair certos tipos de tumor,
o Instituto Nacional de Câncer (NCI), nos Estados
Unidos, resolveu desenvolver a fabricação
de "superalimentos" anticancerígenos. A
idéia é quase óbvia: isolar em cada
tipo de vegetal o agente que tem ação eficaz
no combate à doença e concentrá-lo
em novos alimentos (ou em produtos sintéticos), muito
mais poderosos. Como ainda vai demorar muito tempo para
a ciência desenvolver estes poderosos "clones"
alimentares, a lista a seguir pretende ser um guia de como
você pode aproveitar as verdadeiras propriedades de
cada alimento. Pelo menos até o ponto em que a ciência
e a pesquisa se encontram atualmente.
ALHO
Quase
tudo que se fala a respeito do alho é verdadeiro.
Este tempero tem sido considerado pelos pesquisadores americanos
como o que temos de mais parecido com um "superalimento".
Rico em compostos à base de enxofre (responsáveis
por seu cheiro característico), ele previne o câncer
de estômago e intestino grosso. Ajuda a abaixar a
pressão arterial, diminui os níveis de colesterol
no sangue, além de prevenir as doenças respiratórias.
As substâncias presentes em sua composição
fortalecem nosso sistema imunitário e interceptam
produtos que podem causar câncer, antes que eles sejam
ativados em nosso organismo. Seu efeito aumenta com o incremento
da dose diária ingerida. O professor de Botânica
da USP, Sílvio Panizza, possui uma receita simples
para melhor aproveitar os poderes medicinais do alho: deixe
dois dentes em um copo d'água durante a noite. De
manhã, beba o líquido em jejum
CEBOLA
Possui
uma ação semelhante à do alho, auxiliando
na diminuição dos níveis sangüíneos
de colesterol. Pesquisas recentes mostram que a ingestão
diária do suco de uma cebola provoca um aumento de
30% dos níveis de HDL, o "bom colesterol",
levando a uma incidência menor de ataques cardíacos
e derrames cerebrais. Também é importante
a sua ação contra a formação
de coágulos sangüíneos. A cebola contém
substâncias que impedem o crescimento de tumores malignos.
Em sua composição há grandes doses
de selênio, um mineral antioxidante. A melhor maneira
de conseguir seus efeitos protetores à saúde
é ingeri-la crua.
FRUTAS
CÍTRICAS
Laranja,
limão, kiwi, acerola: esses alimentos são
ricos em vitamina C e outros antioxidantes, úteis
no combate aos radicais livres (moléculas de oxigênio
que "destroem" e "envelhecem" as células).
Eles também estão ligados à prevenção
de vários tipos de câncer. Possuem ação
antihemorrágica e cicatrizante. Aliviam o stress
e fortalecem o sistema imunológico. É importantíssimo
comê-los porque nosso organismo não produz
vitamina C, sendo necessário obtê-la de fontes
externas. Os médicos recomendam a ingestão
de 45 mg diários de vitamina C para os adultos (equivalente
a uma laranja-pêra), 60 mg/dia para as mulheres grávidas
(meio copo de suco de laranja fresca) e 80 mg/dia para aquelas
que estiverem amamentando (um copo de 200 ml cheio). A única
contra-indicação é para quem não
pode comer fibras vegetais, devido a problemas no intestino.
REPOLHO
E COUVE
São
ricos em substâncias que previnem contra o câncer
de mama. Além disso, são fontes generosas
de vitamina B6, produto-chave na formação
da capa protetora das células nervosas. Por esta
razão, é aconselhável sua inclusão
na dieta de portadores de doenças dos nervos periféricos,
nas mulheres com náuseas e vômitos da gravidez
e nos indivíduos que são alcoólicos.
É sabido também que repolho em altíssimas
quantidades pode interferir no funcionamento da tireóide,
o que não acontece em uma dieta equilibrada. O efeito
colateral mais comum desses vegetais é a produção
excessiva de gases.
CENOURA
É
um dos campeões em vitamina A e betacarotenos, perdendo
apenas para o brócolis e a escarola. Suas propriedades
são mantidas com o cozimento. A ação
principal da cenoura se dá na prevenção
da cegueira noturna, diminuindo a dificuldade que algumas
pessoas têm em enxergar à noite. Ela possui
também efeitos importantes na pele, mantendo a integridade
de sua camada mais superficial, a epiderme, melhorando a
elasticidade e a vitalidade do tecido. Apesar disso, é
preciso tomar cuidado com o excesso, pois o pigmento alaranjado
que ela possui pode se depositar na pele, produzindo uma
cor característica. Além disso, a cenoura
contém inibidores das enzimas que atuam no desenvolvimento
de diversos tipos de câncer.
BRÓCOLIS
Assim
como o repolho e a couve, é rico em substâncias
que combatem o câncer ginecológico (principalmente
o de mama). Também é uma ótima fonte
de vitamina A, ferro e cálcio, prevenindo o envelhecimento
da pele, anemias e a osteoporose. A concentração
de seus nutrientes se dá tanto nas flores quanto
nas folhas. Por seu alto teor de fibras, é contra
indicado para pacientes portadores de distúrbios
intestinais como colite e diverticulite.
MAÇÃ
É
uma fruta composta basicamente de celulose e pectina. Esta
última, um derivado do açúcar que não
é absorvido pelo organismo, tem ação
benéfica e protetora do estômago, além
de propriedades antidiarréicas. Há evidências
da sua capacidade de diminuir os teores de colesterol do
sangue.
FIBRAS
VEGETAIS
Existem
indícios de que as fibras. vegetais não-digeríveis
podem oferecer proteção contra algumas formas
de câncer, ajudam a diminuir o risco de infarto (porque
reduzem a produção de colesterol) e no controle
da obesidade. Todos os cereais, legumes, hortaliças
e frutas são fontes de fibras. As fibras solúveis
em água (frutas, ervilhas, feijões, aveia)
diminuem o colesterol e combatem a obesidade e diabetes.
As fibras insolúveis (grãos integrais, farelo
de trigo, centeio, arroz e milho) são mais indicadas
para regularizar a função do intestino grosso.
Mais uma vez, os portadores de doenças do intestino
grosso não devem consumi-Ias sem orientação
médica.
GÉRMEN
DE TRIGO
É
uma importante fonte natural de fibras (veja acima). Também
contém altos teores de vitamina E, poderosa agente
antioxidante, eficaz na redução dos sintomas
da tensão pré-menstrual e no alívio
das cãibras noturnas. Ao contrário, não
existe qualquer indício de que a vitamina E traga
benefícios na área sexual, reduza o colesterol
ou atue contra a queda de cabelos e na prevenção
da calvície.
TOMATE
E PIMENTA
As
últimas pesquisas mostram que estes dois alimentos
são anticancerígenos. O tomate possui dois
componentes que desfazem as ligações químicas
dentro das células cancerosas. A pimenta impede que
o alcatrão e outros subprodutos da queima do cigarro
penetrem no interior das células, alterando sua estrutura
genética e gerando um câncer. Como tomate é
uma poderosa fonte de cálcio, quem sofre de cálculos
renais necessita de orientação médica
para consumi-lo. A pimenta, como vários outros temperos
fortes, pode não fazer bem aos pacientes com problemas
gástricos (gastrite, úlcera) e intestinais
(hemorróidas).
SOJA
E LECITINA DE SOJA
A
soja, além de ser uma fonte inesgotável e
barata de proteína (Principalmente na forma de leite),
também é rica em inibidores de enzimas pré-cancerosas.
A lecitina é um suplemento alimentar usado em sorvetes,
margarinas e maioneses e tem ação, comprovadamente,
como antioxidante. Sabe-se hoje que ela não possui
tantos efeitos como se apregoava há alguns anos.
Alguns estudos mostram que ela afeta o metabolismo das gorduras
e, portanto, poderia ter efeito protetor contra doenças
cardiovasculares. Tanto este quanto outros usos (na doença
de Alzheimer, como antiviral) necessitam de maior comprovação.
A lecitina pura é responsável por um odor
de peixe no corpo e há indícios de que possa
causar depressão.
AZEITE
DE OLIVA
Por
muito tempo, seu uso foi restringido pelos médicos
por aumentar as taxas de colesterol. Hoje se sabe que este
tipo de azeite aumenta os níveis de HDL, o "bom
colesterol", dotado de função protetora
contra os ataques cardíacos e derrames.
ÓLEO
DE GIRASSOL
Entre
os óleos vegetais utilizados na cozinha (como o de
soja ou de milho) é o melhor. Apresenta altos índices
de gorduras instauradas em sua composição,
o que é adequado para aquelas pessoas que necessitam
reduzir o colesterol no sangue.
PEIXES
DE ÁGUA SALGADA
Arenque,
salmão, enchova, atum, bacalhau, linguado: apresentam
elevado teor de ácidos Ômega 3 (conhecidos
como "óleo de peixe"), importantes para
a elevação dos índices de HDL e redução
das doenças coronarianas. Também são
úteis para evitar os sintomas de artrite e ricos
depósitos de vitaminas A e D, auxiliando na formação
dos ossos. Os diabéticos necessitam de orientação
médica antes de consumi-los. Os hipertensos também
precisam tomar cuidado. Como estes peixes são ricos
em sal, eventualmente podem provocar aumento na pressão
arterial.
GENGIBRE
Também
é rico em ácidos Ômega 3. Possui indicações
no tratamento da artrite e no fortalecimento do sistema
imunológico. Na China, é usado como tônico,
embora essa propriedade esteja carente de pesquisas científicas
recentes. Existem experimentos demonstrando que a ingestão
da planta inteira pode causar danos ao fígado.
COLESTEROL
E PRESSÃO EXIGEM CUIDADO
Quando
se fala em colesterol, a primeira coisa que vem à
mente é a idéia de algo nocivo à saúde.
Colesterol alto significa risco iminente à saúde,
certo? Bem, as coisas não são exatamente assim.
O colesterol é um tipo de gordura que existe em geral
nos produtos de origem animal, como carnes e laticínios.
Há dois tipos de colesterol: o bom e o ruim. A diferença
entre eles está no peso da molécula. O colesterol
mais pesado, dito de alta densidade, é o que se deposita
facilmente na parede dos vasos sangüíneos, entupindo-os
e aumentando a probabilidade de se ter um infarto ou derrame
cerebral. Este é o chamado "colesterol ruim".
Já o colesterol mais leve, ao contrário, ajuda
o organismo a se livrar do pesado, possuindo um caráter
protetor à saúde. Por isso é denominado
"bom colesterol". A quantidade de colesterol no
sangue é medida em miligramas (mg) por decilitros
(dl). Os níveis desejáveis para um adulto
vão até 180 mg/dl de colesterol total, com
valores acima de 35 mg/dl para a fração boa
e abaixo de 130 mg/dl para a porção ruim.
Índices totais de 200 a 240 mg/dl são considerados
intermediários e maiores que 240 mg/dl, de alto risco
para doença das coronárias. Níveis
de pressão arterial também costumam causar
certa confusão. Dependendo da idade da pessoa, é
possível aceitar valores um pouco mais altos. Em
geral, para os adultos (nas crianças é diferente)
os valores estão em torno de 130 por 90, ou, como
se costuma dizer, 13 X 9. É bom saber que esta medida
deve ser feita em três posições (em
pó, sentado e deitado) e com o paciente em repouso.
Medir a pressão na rua ou após momentos de
agitação não tem valor algum, pois
ela costuma sofrer leves oscilações com o
stress ou exercício físico.
Consultoria:
Sílvio Panizza, professor de botânica da USP;
A Cura Popular pela Comida, Dr. Flávio Rotman, Editora
Record.